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A Infraero pertence ao povo brasileiro. Trata-se do maior complexo aeroviário do Hemisfério Sul e um dos maiores do mundo. São poucos os países que possuem uma rede de aeroportos sob um mesmo comando. No caso do Galeão, a situação fica ainda mais crítica. Só a propriedade imobiliária do aeroporto, na Ilha do Governador, é um acervo bilionário. Essa área urbana, administrada pela Infraero, permite uma variedade de negócios milionários. Hoje, nos terrenos da autarquia existem concessionárias de carro, locadoras, galpões industriais, parques de manutenção, entre outras coisas.
O grande erro é pensar no aeroporto só como terminal de passageiros. Quando se fala em privatização, o olhar deve mirar o entorno e é nele que surge o grande interesse da iniciativa privada.
O Galeão tem sido crucificado pela falência do Terminal 1, o mais antigo. Não se fala que existe no Terminal 2 metade da estrutura pronta para sua ampliação, faltando apenas a etapa final. Um aeroporto, como o do Rio, é estratégico para o País. Ele foi vítima de um processo de omissão gerado pela politização da Infraero.
A solução não é entregá-lo ao apetite da iniciativa privada e principalmente ao consórcio de empreiteiras que fazem um jogo milionário, sabendo cooptar artilharia de políticos que se alinham com os seus interesses. Entre elas está a própria Odebrecht, que construiu o aeroporto e sabe os negócios paralelos que podem surgir com a concessão da gigantesca área imobiliária dentro de uma cidade como o Rio.
O caso de Viracopos é semelhante. No passado, uma ex-diretora da Anac foi acusada na mídia de tentar passar para um grupo empresarial o aeroporto de Ribeirão Preto para transformá-lo em um terminal cargueiro. Agora, é a vez do maior aeroporto de cargas do País que está na iminência a ser entregue a grupos privados e ninguém reclama.
Essa equação que une sedentos consórcios de empreiteiros raivosos e mal-educados políticos ganha uma pincelada de escândalo quando os dois terminais, os quais defende-se sua entrega à iniciativa privada, são jóias da coroa. Eles ficarão ainda mais valorizados com a chegada do trem-bala. No Rio, ele partirá do Galeão e em São Paulo irá até Viracopos. Qual será o valor destas concessões quando tiver a ligação através do trem de alta velocidade?
Os dois aeroportos são patrimônios do povo brasileiro e existem para servir à nossa população. Transformá-los de forma assoberbada em um balcão de negócios é no mínimo um desrespeito ao patrimônio público.
A recuperação do Terminal 2 começa agora com uma obra de R$ 63 milhões na sua primeira etapa, licitação ganha pela construtora Paulo Octavio. Na solenidade de assinatura da Ordem de Serviço, os convidados foram levados a conhecer a estrutura semi-acabada do Terminal 2 e que só com a sua ativação será possível iniciar a recuperação do Terminal 1.
Realizar uma obra com o aeroporto em funcionamento pleno é muito difícil. Mas a Infraero saberá como fazê-lo sem traumatizar o mercado. Abrir o capital da Infraero é transformá-la em uma Petrobras. Um modelo de eficiência que pode levar a empresa a atuar no exterior.
A nossa empresa de petróleo deve servir como exemplo para um modelo futuro da solução aeroportuária nacional. Finalmente, devemos louvar o trabalho de Sergio Gaudenzi, que assumiu a gestão de uma empresa destroçada na visão da opinião pública e conseguiu não só recuperar a credibilidade como também mostrar eficiência de gestão e da valorização dos ativos da empresa. Que venha a nossa Petrobras dos ares, para benefício do povo brasileiro!
Cláudio Magnavita é diretor do Jornal de Turismo e da AVIAÇÃO EM REVISTA.
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